Fábulas Universo das Fábulas

A formiga e a cigarra

No Inverno tirava a Formiga da sua cova e assoalhar o trigo, que nela tinha, e a Cigarra com as mãos postas lhe pedia que repartisse com ela, que morria à fome. Perguntou-lhe a Formiga: - Que fizera no Estio, porque não guardara para se manter? Respondeu a Cigarra: - O Verão e Estio, gastei a cantar e passatempos pelos campos. A Formiga então, perseverando em recolher seu trigo, lhe disse: - Amiga, pois os seis meses de Verão gastaste em cantar, bailar é comida saborosa e de gosto.

A noz e o campanário

Um corvo pegou uma noz e levou-a para o topo de um alto campanário. Segurando a noz com as patas começou a bicá-la para abri-la. Porém subitamente a noz rolou para baixo e desapareceu numa fresta do muro. - Muro, meu bom muro - suplicou a noz, percebendo que estava livre do bico do corvo - pelo amor de Deus, que foi tão bom para você, fazendo-o alto e forte, e enriquecendo-o com esses belos sinos de tão belo som, salve-me, tenha pena de mim! Meu destino era cair entre os velhos ramos de meu pai

O gato e os camundongos

Um gato que, enfraquecido pela idade e, por isto, já sem condições de caçar camundongos, pensou num modo de atraí-los ao alcance de suas patas. Para tanto, pendurou-se pelas pernas traseiras em uma pequena estaca, achando que os camundongos o tomariam por uma sacola ou, no mínimo, por um gato morto, dele arriscando aproximar-se. O primeiro camundongo que apareceu para dar uma olhada foi suficientemente prudente para se manter à distância.

O cisne confundido com o ganso

Um homem muito rico alimentava um ganso e um cisne juntos, ainda que com diferentes finalidades: um era para o canto e outro para a mesa. Quando chegou a hora para a qual era alimentado o ganso, era de noite e a escuridão não permitia distinguir entre as duas aves. Capturado o cisne em lugar do ganso, entoou seu belo canto prelúdio de morte. Ao ouvir sua voz, o amo o reconheceu e seu canto o salvou da morte. Moral da Estória : Antes de tomar uma ação sobre outro, seja para beneficiar ou prejudic

A cabra e o asno

Uma cabra e um asno comiam ao mesmo tempo no estábulo. A cabra começou a invejar o asno porque acreditava que ele estava melhor alimentado, e lhe disse: - Tua vida é um tormento inacabável. Finge um ataque e deixa-te cair num fosso para que te dêem umas férias. Aceitou o asno o conselho, e deixando-se cair, machucou todo o corpo. Vendo-o o amo, chamou o veterinário e lhe pediu um remédio para o pobre. Prescreveu o curandeiro que necessitava uma infusão com o pulmão de uma cabra, pois era muito e

A novilha, a cabra e a ovelha, em sociedade com o leão

Referem autores que em tempos remotos A mansa ovelhinha, a cabra e a novilha Ao rei das florestas tomaram por sócio, De lucros e perdas justando partilha. Caiu um veado nos laços da cabra; Reclamam os sócios da prêsa o quinhão, Então, pelas unhas as contas fazendo, Em voz rugidora lhes diz o leão; LEÃO "Nós quatro é que temos direito à carniça; (E em quatro pedaços divide o veado). Eu tomo a primeira por ser soberano; Ninguém m'a contesta; leão sou chamado.

O jabuti e a peúva

Brigaram certa vez o jabuti e a peúva. - Deixa estar! - disse esta furiosa - deixa estar que te curo, meu malandro! Prego-te uma peça das boas, verás... E ficou de sobreaviso, com os olhos no astucioso bichinho que lá se ria dela sacudindo os ombros. O tempo foi correndo... o jabuti esqueceu-se do caso; e um belo dia, distraidamente, passou ao alcance da peúva. A árvore incontinenti torceu-se, estalou e caiu em cima dela. - Toma! Quero ver agora como te arrumas.

A colina dos elfos

Umas ágeis lagartixas correram pelas fendas do tronco de uma velha árvore. Entendiam-se muito bem, pois todas falavam a língua de lagartixa. - Que barulheira tem havido lá na velha Colina dos Elfos! - disse uma delas - já lá vão duas noite que não prego olho, por causa do alarido lá em cima. Eu podia estar na cama com dor de dente, que dava na mesma: em tal situação também não consigo dormir. - Há qualquer coisa lá dentro - disse outra lagartixa - ficam na Colina, onde se erguem os quatro pilare

A serpente e os pássaros

Não havia mais tantos pássaros no bando quanto anteriormente. Cada dia um deles desaparecia misteriosamente, sem ninguém notar como. O líder do bando não conseguia encontrar explicação alguma. Certa manhã, em vez de voar na frente, colocou-se em último lugar, a fim de poder vigiar seus companheiros. Voaram, como sempre, em direção a uma floresta distante. Ao passarem por cima de um colina o líder notou que o ordenado bando separou-se, como se atingido por um forte vento.

O cão dorminhoco e o lobo

Como estava dormindo à porta de um estábulo, um cão foi surpreendido por um lobo que se lançou sobre ele, pronto para devorá-lo. Mas o cão lhe pediu para adiar o sacrifício: - Agora - disse ele - estou raquítico e doente. Mas espera um pouco, meus donos estão para comemorar suas núpcias; comerei muito e, bem gordinho, serei para ti um prato delicioso. O lobo acreditou nele e se foi. Alguns anos depois, ele voltou e viu que o cão estava dormindo no andar de cima da casa.

Cinco grãos de um só vagem

Eram Cinco Ervilhas dentro de uma Vagem. Eram verdes, e a Vagem era verde. Por isso, pensavam que todo o mundo era verde, no que tinham toda a razão: para elas, de fato, o era. A Vagem foi crescendo, adaptando-se ao espaço de sua moradia. Formavam uma fila perfeita. O Sol brilhava lá fora e aquecia a Vagem. A chuva tornava-a transparente, dentro dela era quente e agradável, era claro durante o dia e escuro à noite, como deve ser. As Ervilhas foram aumentando de tamanho e pensando cada vez mais,

Os dois burrinhos

Muito lampeiros, dois burrinhos de tropa seguiam trotando pela estrada além. O da frente conduzia bruacas de ouro em pó; e o de trás, simples sacos de farelo. Embora burros da mesma igualha, não queria ser o primeiro que o segundo lhe caminhasse ao lado. - Alto lá! - dizia ele - não se emparelhe comigo, que quem carrega ouro não é do mesmo naipe de quem conduz feno. Guarde cinco passos de distância e caminhe respeitoso como se fosse um pajem.

A árvore solitária

Era uma vez um velho carvalho que já vivia há muito tempo na floresta. Muitos anos antes, uma grande tempestade varrera a floresta, deixando o carvalho quebrado e feio. Não era mais altivo e belo como as outras árvores. A primavera cobria sua feiúra com novas folhas verdes; no outono, as folhas se transformavam num belo manto carmim. Mas os ventos na floresta sempre sopravam, carregando o manto de folhas para longe. E, assim, nada restava para disfarçar sua feiúra.

O lírio

Nas verdes margens do rio Ticino um belo lírio mantinha-se reto e alvo em sua haste, mirando o reflexo de suas brancas pétalas na água. A água ansiava possuir o lírio. A cada ondulação da superfície passava a imagem da linda flor branca. E o desejo da água voltava-se para as ondulações que ainda estavam por vir. E assim todo o rio começou a estremecer e a correnteza tornou-se rápida e turbulenta. A água não conseguiu arrancar o lírio, que mantinha-se firme no alto de sua forte haste, e então ati

O corvo que quis imitar a águia

Um dia a ave de Júpiter roubou E levou pelos ares um carneiro. Um corvo que a façanha presenciou, Mais fraco, mas glutão também e aventureiro, Quis fazer outro tanto sem tardar. Girou voando em torno do rebanho E entre cem escolheu, por seu tamanho, Gordo e belo carneiro, um soberbo exemplar, Que entre os demais se tinha reservado, Por isso mesmo, a ser sacrificado Para a boca dos deuses contentar. Dizia o corvo alegre, engolindo-o com o olhar: Não sei dizer quem te haja amamentado; Só sei que t

Os dois castores

Dois castores que pouco se falavam, mas moravam em rios que corriam paralelos. Um dia, em meio à construção de um enorme dique para conter o rio que teimava em se encher com a água da chuva, o castor do rio da direita notou, exausto, que os galhos estavam terminando. Sem graça, gritou, então, ao castor do rio da esquerda, se ele poderia doar um ou dois galhos. Voaram dois galhos por sua cabeça, que o castor agoniado tratou de enfiar pelo amontoado de galhos que já começava a mostrar sinal de fra

A figueira

Era uma vez uma figueira que não dava frutos. Todos passavam por ela sem olhá-la. Durante a primavera as folhas cresciam, mas quando chegava o verão, e as outras árvores estavam carregadas de frutos, nada aparecia em seus galhos. - Eu gostaria tanto que me apreciassem! - suspirou a figueira - queria só produzir frutos como as outras árvores! Tentou e tornou a tentar até que, em certo verão, viu-se carregada de figos. O Sol fez os figos crescerem e incharem, tornando-os doces e perfumados.

A raposa e o busto

Era um busto famoso, um todo teatral... Por entre a multidão, o burro, esse animal Que não sabe julgar senão as aparências, Gabava da escultura as raras excelências. A raposa, porém, um tanto mais sabida, Aproxima-se e diz: "Não vi, por minha vida, Cabeça tão perfeita!... É mágoa verdadeira A falta que lhe faz lá dentro a mioleira!" Aos centos, pelo mundo, os homens conto Que são bustos perfeitos neste ponto. Jean de La Fontaine.

A cerva na gruta do leão

Uma cerva que fugia de uns caçadores, chegou a uma gruta onde não sabia que morava o leão. Entrando nela para se esconder, caiu nas garras do leão. Vendo-se sem remédio, perdida, exclamou: - Infeliz de mim! Fugindo dos homens, caí nas garras de um feroz animal. Esopo Moral da Estória : Se tratas de sair de um problema, busca uma saída que não seja cair em outro.


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